- Importação faz preço do
leite cair para o consumidor e preocupa o produtor
- Importações pressionam laticínios e
compromete a produção brasileira
Importação faz preço do leite cair para o consumidor - A crescente importação de leite
derruba o preço do produto no varejo. Nesta época do ano, o litro em caixinha
deveria custar em média 20% acima do valor praticado nos primeiros três meses,
mas a realidade é que os valores chegam a ser até 20% inferiores aos praticados
no primeiro trimestre do ano.
Geralmente entre maio a até setembro
ocorre a chamada entressafra, com estiagem, baixa produção do alimento e preços
em alta. A queda atual dos valores reflete o aumento da importação de leite em
pó.
"Como a maioria das processadoras
opera o produto também em pó, a concorrência externa pressiona [para baixo] os
preços dos produtos", diz a pesquisadora Aline Barrozo Ferro, do Centro de
Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Segundo levantamento da Confederação
Nacional da Agricultura (CNA), apenas do Uruguai o Brasil tem importado uma
média de 3,8 mil toneladas mensais de leite em pó nos primeiros quatro meses do
ano.
O volume é dez vezes maior que o
volume mensal comprado do mesmo país em 2008. A situação preocupa os produtores
brasileiros, mas favorece o consumidor. Fonte: Jornal da Cidade adaptado pela
Equipe Milknet
Importações pressionam laticínios - O cenário negativo ganha contornos
ainda mais desafiadores diante do aumento dos estoques de queijo e leite longa
vida (UHT) no atacado, que limita o espaço da indústria para repassar a alta
dos custos de produção. Nesse contexto, há cada vez menos estímulo para que o
pecuarista se mantenha na atividade.
"É possível que o Brasil volte a
ser dependente de importação. Ainda está bem equilibrado - importamos de 3% a
4% do nosso consumo -, mas o grande risco é esse", preocupa-se o
presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Laércio
Barbosa.
Entre janeiro e abril deste ano, as
importações de leite em pó saltaram 56,8%, para 9,838 mil toneladas, conforme
dados da Secretaria de Comércio Exterior. Já as importações de queijos
avançaram 21,6% no período, para 11,557 mil toneladas. "É o maior volume
desde 2000, época em que o Brasil era um importador de lácteos", afirma
Aline Ferro, pesquisadora do Cepea/Esalq.
"A importação estabeleceu um teto
e, com o custo da matéria-prima em alta, a rentabilidade do setor está bastante
comprometida", diz Barbosa. Em 2009, a indústria recebia, em média, R$ 12,00
pelo quilo de queijo durante a entressafra. "Agora, o queijo importado no
varejo sai em torno de R$ 8,00". Em 2012, os custos ao produtor de leite
aumentaram cerca de 5%.
Com a concorrência dos importados, diz
Barbosa, uma das estratégias dos laticínios tem sido reduzir a produção de
queijo e leite em pó, migrando para o UHT. "Acredito que as fábricas de
leite em pó trabalhem hoje com mais de 50% de ociosidade", estima Barbosa.
Mas esse movimento só acaba por
irradiar a crise do segmento também para o UHT. Entre janeiro e abril, enquanto
o preço médio pago pelo leite aos produtores ficou 12% acima do observado no
mesmo intervalo do ano passado, o UHT permaneceu estável, conforme o Cepea. (Fonte:
Valor Econômico)
José V. MallmannSupervisor de Política Leiteira
Vonpar Alimentos SA.
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