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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Destaques da edição nº.156 do Momento Leite



Preços ao produtor em queda, oferta elevada e importações compõem o cenário do leite no primeiro semestre - Encerramos o primeiro semestre com um cenário pouco habitual: preços ao produtor em baixa em plena entressafra. Além de o preço estar em queda em um momento pouco usual, de produção historicamente mais baixa, o preço atual está abaixo do valor de 2011 para essa mesma época. Em junho do ano passado o preço estava 6% maior do que junho desse ano.
Se não bastasse essa situação, os insumos seguem em alta crescente desde o final do ano passado, reduzindo as margens do produtor. Em 2009 e 2010 houve picos acentuados no meio do ano; já em 2011 esse pico foi bem mais suave, para finalmente ser inexistente em 2012, ainda que os valores do início do ano tenham sido mais altos do que nos anos anteriores.
A conjuntura atual é reflexo em parte da maior oferta de leite do primeiro semestre e também das altas importações. Segundo a pesquisa trimestral do leite, divulgada no final de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o primeiro trimestre apresentou uma oferta consistente, com 4,4% acima na comparação com o mesmo período do ano anterior. Só em março de 2012, o aumento foi de 6,3% e ao que tudo indica, o segundo trimestre deve ter mantido essa tendência de produção. Com exceção do Nordeste que teve a sua oferta afetada pela forte seca, o clima na Região Sul, responsável por aproximadamente um terço da produção brasileira, vem apresentando condições favoráveis de produção e com indícios de uma safra interessante.
Aliado a isso, as importações também foram um ponto crucial na atual situação de mercado. Em equivalente-leite (a quantidade de leite utilizada para produzir um quilo de determinado produto), 2012 segue os passos do ano passado, ano em que teve o maior volume internalizado desde 2003. Até junho, importamos 50,2% do valor total de 2011, e se esse comportamento mantiver, facilmente bateremos a quantidade importada do ano passado.
Para compor esse cenário, há indícios de que a demanda está sendo influenciada pela crise econômica. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, há quatro semanas o crescimento do PIB para 2012 estava estimado em 2,53%, Atualmente a expectativa já foi reduzida para 2,01%, o que demonstra que a economia do país está crescendo em um ritmo mais brando. Além disso, o endividamento das famílias vem atingindo níveis recordes. Em dezembro de 2009, a dívida das famílias estava em R$ 485 bilhões, subindo para R$ 524 bilhões em abril do ano passado e atingindo R$ 653 bilhões em abril deste ano.
Com a oferta em alta e a demanda retraída, os preços dos produtos lácteos no atacado praticamente se mantiveram constantes. Ao considerarmos apenas o leite UHT, julho de 2012 teve aumento de 5% em relação aos preços de janeiro; se fizermos essa mesma comparação em 2011, veremos que o aumento foi de 15%.
Com o cenário de preços mais baixos no campo e custos elevados , o segundo semestre deverá ter uma produção um pouco mais tímida, podendo resultar em corrida pelo leite no início do ano que vem. O momento para o produtor é de cautela, controle de custos e espera por momentos mais favoráveis. Fonte:  Cepea / Milkpoint)

Pare e pense: "O ser humano aprende a falar com cerca de 3 anos, a ouvir, nunca." Jô Soares

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